ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
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Pastorais Sociais da CNBB apresentam nota pública “Democracia: mudança com Justiça e Paz”
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RETA FINAL: Haddad: a dignidade humana e o futuro das próximas gerações estão em jogo
Movimentos ligados às frentes Brasil Popular e Povo sem Medo prometem nos 10 dias que faltam para o segundo turno intensificar corpo a corpo por virada nas urnas, pela democracia e os direitos do povo por Portal CUT Os 10 dias que faltam para o segundo turno da...
Boulos: não há espaço para ressentimentos, é preciso ter lado
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Luciana Santos: “Reunir com qualquer um que lute pela democracia”
Seis partidos políticos reuniram seus representantes nesta segunda-feira (15) em Brasília para lançar uma frente democrática de apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República. A reunião ocorreu na sede nacional do PSB. Presente na reunião, a...
CPT: Violência no campo cresce e três mortes são registradas na última semana
Casos ocorreram nos estados do Pará, Mato Grosso e Maranhão. (CPT com informações do MST, MPF-MT e Observatório Socioambiental) Um líder sindical e dois indígenas foram mortos entre os dias 10 e 12 de outubro nos estados do Pará, Mato Grosso e Maranhão....
Um canalha à porta do Planalto
"Tudo nele aponta para a pequenez: é um ser intelectualmente medíocre, eticamente execrável, politicamente vulgar." por Francisco Assis republicado em Jornalistas Livres “… chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o dilacerante espetáculo do...
ANÁLISE DO PROGRAMA DE JAIR BOLSONARO
Por Flor Poznanski para Jornalistas Livre Fiz o esforço hoje de ler a íntegra do plano de governo de Bolsonaro. E com toda a honestidade que tentei achar há muito, muito pra criticar. Vão abaixo meus comentários, esperando ter ajudado na narrativa da...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





