ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Operação cumpre mandados de reintegração de posse em fazendas do sudeste do Pará
Agentes Polícia Militar de Marabá cumpriram mandado na Fazenda Cedro, na segunda-feira (4). Estão previstos para próxima semana outras fazendas em Santana do Araguaia, Marabá e Parauapebas. Operação dá início a reintegrações de posse em fazendas do sudeste do...
Alunos da rede municipal de ensino de unem aos professores após um mês de greve
Estudantes da escola Helena Guilhon, no bairro do Coqueiro, se uniram ao movimento dos professores. A mais de uma semana, eles ocupam o colégio para chamar atenção do governo para os problemas que vivem diariamente. A greve dos professores da rede estadual de...
Pará registrou quase 30 mortes nos últimos dois dias
As fortes chuvas que castigaram Belém e região metropolitana na última segunda-feira (04) não foram suficientes para apagar o sangue que encharca o solo da capital paraense este ano. Nos últimos dois dias, quase 15 mortes foram registradas na Grande Belém,...
Pará é o quarto Estado com mais homicídios no Brasil
O Pará é o quarto Estado mais violento do país, segundo o Atlas da Violência 2018, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta terça-feira (5). Segundo o Atlas da Violência, o Pará está entre as sete unidades federativas do Norte e Nordeste...
Justiça proíbe presença de invasor que promovia o desmatamento em assentamento em Santarém (PA)
MPF denunciou Sancler Viana Oliveira por invadir, desmatar e vender ilegalmente lotes do projeto de assentamento Corta Corda, em Santarém, no oeste do Pará A Justiça Federal recebeu denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Sancler Viana Oliveira,...
MPF recorre à Justiça para que sejam iniciados estudos sobre território reivindicado por indígenas no Pará
Os Munduruku do planalto santareno aguardam providências há dez anos O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça decisão urgente para obrigar a União e a Fundação Nacional do Índio (Funai) a darem início aos estudos de identificação e delimitação do...
PGR reforça inconstitucionalidade de lei complementar de contratação do Pará
Para Raquel Dodge, a nova regra afronta o artigo 37 da Constituição, que dertermina contratação sem concurso público apenas em casos excepcionais e urgentes Em parecer enviado esta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da...
A pedido do MPF, PM intensifica proteção a defensores de direitos humanos em Trairão (PA)
Recentes ameaças de morte foram simbolizadas com sepulturas cavadas próximas à residência dos ameaçados A Polícia Militar (PM) do Estado do Pará informou que, em atendimento a pedido do Ministério Público Federal (MPF), aumentou a frequência das rondas para...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





