ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Manuela: “É preciso uma grande reforma na segurança pública do Brasil”
A pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila voltou a falar de segurança pública e defendeu a necessidade de uma grande reforma na segurança pública do Brasil, em vídeo publicado nas suas redes sociais. Manuela ressaltou que a violência...
Madrugada sangrenta também teve assassinatos na Pedreira e em Marituba
A madrugada sangrenta desta segunda-feira (30) em Belém e Região metropolitana também deixou vítimas no bairro da Pedreira e em Marituba. João Ricardo da Silva, 26 anos, foi morto na travessa Humaitá com Rua Nova, bairro da Pedreira. Ele foi atingido com pelo...
11 mortes e 9 baleamentos na Grande Belém; cinco da mesma família
Os moradores da Região Metropolitana de Belém viveram, novamente, um terror que parece não ter fim. Desde o início da tarde deste domingo (29) foram registradas pela nossa equipe de reportagem - e até o fechamento desta matéria - 11 mortes e nove baleamentos....
Norte Energia tem 5 dias para realocar famílias de comunidade impactada por Belo Monte, recomenda MPF
Jardim Independente I, em Altamira (PA), está em área alagada após reservatório da hidrelétrica. Diligência apontou risco de desabamento O Ministério Público Federal fixou prazo de cinco dias úteis para que a concessionária Norte Energia/SA – responsável pela...
#ABRILIndígena: Justiça determina reflorestamento de área indígena onde empresa construiu pousada no Pará
Empresa que oferecia pacotes turísticos para pesca esportiva chegou a abrir pista de pouso na área A Justiça Federal condenou uma empresa a reflorestar área em que construiu ilegalmente uma pousada em terra indígena no Pará. Os responsáveis também foram...
#ABRILindigena: Tribunal mantém anulação de acordo da Eletrobrás com empreiteiras para estudos de Belo Monte
Acordo foi feito sem licitação e publicidade, e proporcionou vantagem ilegal a empresas contratadas O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília (DF), decidiu nesta quarta-feira (25) manter válida decisão de 2016 que anulou acordo de cooperação...
Biografia de Paulo Fonteles: a Justiça tem lado no Brasil, o dos poderosos
por Viomundo A biografia do advogado, sindicalista e político Paulo Fonteles está sendo lançada em São Paulo esta noite, às 19 horas, no Memorial da Luta pela Justiça. O livro Ponto Fonteles, sem ponto final, de Ismael Machado, joga luz sobre a...
Índios interditam trecho de atoleiros na Transamazônica, no sudeste do Pará
Condutores são orientados a desviar o trajeto pelo município de Tucuruí. Bloqueio começou na terça-feira (24). Indígenas dos sudeste do Pará interditam a rodovia BR-230, a Transamazônica, no km-250, nesta quarta-feira (25), próximo de Novo Repartimento. De...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





